Dez horas.Sentada em um ônibus a caminho de casa,lendo um livro maravilhoso de Zuenir Ventura( quem sabe quando acabar de ler não poste meu parecer a respeito?!) sobre a inveja e ouvindo O mundo é um moinho na voz do inesquecível Cazuza, lembrei de uma conversa que tive com uma pessoa maravilhosa há alguns meses atrás.
Em um papo agradabilíssimo, essa pessoa me fez diversas perguntas.Primeiro,perguntou o porquê da minha ira, da minha cara de brava ao olhar as pessoas.Respondi que não sabia, que achava que era um mecanismo automático de auto-defesa.Ele disse que não era necessária essa minha defesa, que sabia muito bem me defender de tudo e de todos.Depois me fez uma pergunta que foi o motivo de estar refletindo até agora sobre esse assunto.Ele disse:"Por que você não é mais você"? Apesar de ter achado a pergunta estranha, entendi o que ele quis dizer, mas me fiz de desentendida.Ele insistiu e perguntou: "Por que você desistiu de se expressar"?
Não respondi.Não sabia o que dizer,então simplesmente me calei.Ele aproveitou o meu silêncio e disse diversas coisas que me deixaram tão feliz a ponto de querer chorar.Ele me disse:"Olha, eu tenho um conselho a dar.Não se perde não.Não deixa a sua personalidade canceriana te dominar.Não se esconda, se revele, saia da concha.Surpreenda pessoas todos os dias, se expresse.É tão lindo o seu expressar, o seu sentir, o seu amar.Independente do que venham a falar ou pensar, seja você.Não esquece".
Lembrei desse acontecimento e confesso que uma lágrima caiu de meu rosto, molhando até a página 83 do livro, que era a que estava lendo no momento.Perdi a minha voz, a minha expressão.Então, nesse exato momento, me prometi que ia fazer de tudo para que voltasse a sentir, a me expressar.
Àquela pessoa que me fez acordar para a vida, ou pelo menos o que me resta dela(espero que seja muita coisa), agradeço.Agradeço por me tirar da concha, por me mostrar a luz no fim do túnel, por me fazer buscar a expressão e eu lhe prometo que procurarei até achá-la.







